Amamos Olinda! Entenda porquê ela é tão apaixonante.

Amamos Olinda! Entenda porquê ela é tão apaixonante.

No dia 12 de março, a cidade de Olinda faz 487 anos. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como patrimônio cultural da humanidade, Olinda reúne um dos centros culturais e criativos mais vibrantes do Brasil. 

Quem aqui nunca ouviu falar em Olinda, a cidade que tem um dos carnavais mais irreverentes e calorosos do Brasil? Do sobe e desce das suas ladeiras, das suas casinhas coloridas, dos toques e cortejos dos maracatus, dos encontros animados nos cocos de roda, da bebida quente e inebriante do axé-de-fala, do seu artesanato peculiar, da sua deliciosa tapioca e da vista maravilhosa da Sé que dá para ver o Recife? É uma belezura que não cabe num único texto, viu! Já aviso que vou deixar a desejar… 🙃😁

Andar por suas ruas é uma sensação. Até quem não é olindense conhece e se arrepia quando toca o hino dos Elefantes: “Olinda, quero cantar a ti, essa canção. Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar, faz vibrar meu coração. De amor a sonhar, minha Olinda sem igual. Salve o teu carnaval!”. Tu já sabe que Olinda é nossa crush e que temos os quatro pneus arriados por ela. 

Entenda um pouco mais, a seguir, porque declaramos esse amor pela cidade de Olinda e porque ela nos encanta tanto!  

Um pouco sobre a história da cidade de Olinda 

Ocupada inicialmente pelos indígenas caetés, a área territorial que é hoje a cidade de Olinda foi invadida, ocupada e urbanizada pelos pelos portugueses no século XVI. A história de colonização da cidade está entrelaçada à atividade da cana-de-açúcar da Nova Lusitânia, como era conhecida a capitania de Pernambuco. Reconstruída logo após ter sido saqueada pelos holandeses, o tecido urbano da cidade remonta ao século XVIII e é formado por construções de igrejas, capelas e casarões. 

Vista de Olinda, Brasil, Frans Jansz. Post, 1662 . Fonte: Rijks Museum

A vegetação exuberante, com seus jardins, árvores frutíferas frondosas e plantas tropicais, se mescla à sua arquitetura vernacular, reflexo de um tempo áureo, decorrente da sua atuação na economia canavieira. Por quase dois séculos, a indústria da cana-de-açúcar sustentou a economia do Brasil e tinha na antiga capitania e, em especial na cidade de Olinda, um símbolo da prosperidade e da riqueza acumuladas com essa atividade. 

O conjunto arquitetônico e paisagístico de Olinda foi tombado pelo Iphan, em 1968. Seu reconhecimento pela Unesco, como Patrimômio Mundial Cultural, veio em 1982 e está restrito a uma área de 1,2 Km² (sítio histórico ou cidade alta) com cerca de 1500 imóveis, cujos estilos arquitetônicos são os mais diversos, que vão dos edifícios coloniais do século XVI aos ecléticos e neoclássicos do século XX (IPHAN, 2022).

Cultura e criatividade: Olinda é uma cidade que pulsa 

Olinda já não acumula tanta riqueza econômica como outrora. Atualmente, o município ocupa a oitava posição do PIB per capita no estado de Pernambuco (IBGE, 2019). Contudo, a cidade das ladeiras e casas coloridas possui um inestimável valor cultural e criativo. 

Além do seu valor patrimonial e arquitetônico, a cidade preserva valores históricos e imateriais que é só possível acessar ao visitar o local e ao vivenciar experiências e atividades típicas da cidade. O seu valor simbólico não está apenas restrito ao sítio histórico tombado pelas instituições patrimoniais – IPHAN e UNESCO, mas faz parte da cultura e da identidade de ser olindense. 

Quem nunca escutou as canções de Chico Science e a Nação Zumbi? E as canções de Alceu Valença? Que apesar de não ser olindense, é um amante inquestionável da cidade. E Jorge de Altinho, nascido em Olinda e reconhecido compositor de forró. Mas também temos outros artistas tão importantes quanto e que contribuem ou deixaram inestimável legado para a cultura local: Dona Selma do Coco, Mestre Aurinha do Coco, Mestre Zeca do Rolete, Beth de Oxum e o Coco de Umbigada. Dançar coco em Olinda é bom demais, né? E essa lista não tem fim! 

Ah, e precisamos falar que o carnaval é uma parte especial do cenário cultural e criativo da cidade. Antes do isolamento social, quem já foi sabe que o carnaval é coisa séria. Não são apenas 4 dias de festejo no mês de fevereiro. São meses de folia e preparação que fazem a festa dos olindenses e não olindenses durarem meses. 

E nesse legado cultural, não podemos esquecer dos clubes e troças carnavalescas que animam o festejo: Troça Carnavalesca Mista Cariri, uma das mais antigas de Olinda (1921); Troça Pitombeira dos Quatro Cantos (1947), uma das maiores e mais animadas troças da cidades; Troça Ceroulas (1962); Troça Bacalhau do Batata (1965), e tantas e tantas outras que já fizeram parte da cidade ou aquelas que ainda fazem e que não vamos dar conta de citar todas, infelizmente.

Nós, da Casa Criatura, somos apaixonadas por Olinda, não apenas por sua beleza, mas por sua riqueza cultural e por sua potência criativa. Existe um valor que não é contabilizado como acúmulo econômico, mas que está presente e pode ser sentido, vivido e repassado para as demais gerações, em forma de memória viva que se perpetua no tempo.

Casa Criatura

Os valores de setor criativo são muitas vezes intangíveis, mas são economicamente valiosos. Estar em Olinda, enquanto casa histórica, espaço de coworking, centro cultural, laboratório de design e  inovação, estúdio de arquitetura, dentre outras possibilidades reflete justamente o que a cidade é para nós: versátil, multi, potente, intensa e agregadora!

Nosso guia apaixonado por Olinda: o guia da criatura olindense <3

Chegou o momento de apresentar  o nosso guia apaixonado. 

Antes de tudo, queremos dizer que Olinda é muito, mas muito maior que esse guia que vamos apresentar abaixo, ok? Não conseguimos dar conta de apresentar tudo. Mas saiba que fizemos isso com todo o carinho para te ajudar nesse roteiro e andanças pelas “Olindas”. Simbó?! Espia só o que vem a seguir. 

Casa Criatura 

Vamos começar conosco! 

A Casa Criatura está localizada na Rua de São Bento, no bairro do Carmo. Quem não sabe, aqui já foi o Museu Tiridá – Museu do Mamulengo, cujo papel foi conservar e divulgar o acervo de bonecos, manifestação da cultura popular local, chegando a ter mais de 1000 itens no museu. Atualmente, o Museu do Mamulengo está sediado no Mercado Eufrásio Barbosa, nosso vizinho que logo menos falamos dele.

Aqui também já foi a sede da TV Viva, uma iniciativa do Programa de Comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire. Pioneiro na concepção alternativa de TV popular, atuava no mercado de vídeo educativo e institucional. Seus primeiros vídeos retratavam a realidade cotidiana dos próprios bairros onde eram exibidos em telões. Tais telões circulavam semanalmente pela capital pernambucana. O grupo era financiado por uma organização holandesa, a Novib, e teve seus trabalhos adquiridos pela Abril Vídeos e pela BBC londrina. 

A Casa Criatura é uma edificação histórica, antiga, que tem um amplo quintal. Funcionamos como espaço de co-working, laboratório de design e inovação, ateliê de cerâmica, estudio audiovisual entre outros projetos e serviços existentes no local. 

E como ama integrar pessoas,  promovemos encontros e eventos culturais no quintal de casa! E são eventos que todo mundo adora e fica apaixonado quem nem nós. ☺️ 

📍 Estamos na Rua de São Bento, 344 – Carmo, sítio histórico de Olinda.

Os Bonecos Gigantes de Olinda

Os bonecos gigantes são símbolos do Carnaval de Olinda. Além de subir e descer as ladeiras de Olinda durante o carnaval, também desfilam pelo bairro do Recife. A festa dos bonecos gigantes começa à meia-noite, com a saída do calunga Homem da Meia-Noite. E o desfile de Bonecos segue pelos demais dias até a terça-feira de carnaval. 


📍 Casa dos Bonecos Gigantes e Mirins de Olinda.
R. Bpo. Coutinho, 780 – Carmo, sítio histórico de Olinda.

Casa do Homem da Meia Noite

Foto: Passarinho, Prefeitura de Olinda (2010)

O Clube Carnavalesco de Alegoria e Crítica O Homem da Meia-Noite é um bloco carnavalesco, uma troça e uma das mais antigas agremiações a circular nas ladeiras do Sítio Histórico de Olinda, conhecido pelo boneco gigante do Carnaval de Olinda. Criado por Benedito Bernardino da Silva, marceneiro e entalhador e pelo pintor de paredes Luciano Anacleto de Queiroz.

O Homem da Meia-Noite foi inspirado no personagem do filme “O ladrão da meia-noite”, que conta a história de um ladrão de classe, que saía de um relógio sempre à meia-noite, cada dia de um lugar diferente, causando pânico na cidade. Luciano que adorava cinema, resolveu batizar o calunga com esse nome. 

Sua saída é sempre aos sábados, à meia-noite, e tem gente que não aguenta de emoção ao ver o calunga saindo da sua casa. É de arrepiar. 

📍 A sede localiza-se em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no bairro do Bonsucesso, no sítio histórico de Olinda. 

Centro Cultural Coco de Umbigada

Iniciativa de Beth de Oxum, cantora, percussionista e ialorixá que comanda o Centro Cultural e as Sambadas do Guadalupe. Antes do isolamento social, as sambadas aconteciam sempre no primeiro sábado do mês na frente do Centro Cultural. Atualmente são transmitidos ao vivo, pela Internet.

Beth de Oxum é olindense e seu aniversário também é no mesmo dia do aniversário de Olinda, dia 12 de março. Antes do isolamento social, ela costumava fazer uma grande festa, com direito a sambada de coco e muito mais. Beth é uma reconhecida ativista cultural, que defende e pauta o protagonismo da mulher e da juventude preta e periférica. Recebeu a Ordem do Mérito Cultural em Brasília (2015) e hoje é Patrimônio Vivo da Cultura de Pernambuco. 

Saiba mais, acesse: https://sambadadecoco.wordpress.com/ 

📍 Rua João de Lima, 42 – Guadalupe, Olinda.

Coco de Umbigada. Vídeo e exibição TV Viva, s. d.

Centro Cultural Casa da Rabeca do Brasil

A Casa Rabeca do Brasil é uma iniciativa do Mestre Salustiano (ou Mestre Salu), nascido em Aliança, na Zona da Mata de Pernambuco. Mestre Salu foi cortador de cana e também grande rabequeiro, coisa que aprendeu com o seu pai, o rabequeiro João Salustiano. 

Brincante do Maracatu e Cavalo Marinho, era também doutor e Patrimônio Vivo da Cultura Popular de Pernambuco. Recebeu a Comenda do Mérito Cultural Brasileiro. Considerado um dos melhores rabequeiros do País, Mestre Salu inspirou artistas como: Antonio Nóbrega, Chico Science Nação Zumbi e o Grupo Mestre Ambrósio. 

Saiba mais, acesse: https://www.casadarabeca.com.br/ 

📍  R. Curupira, 340 – Tabajara, Olinda.

Vídeo e exibição da TV JC  (2015)

Mercado Eufrásio Barbosa 

O Mercado Eufrásio Barbosa é um espaço multicultural composto por espaços para exposições, possui ainda o Museu do Mamulengo, salas para oficinas, teatro com capacidade para mais de 100 pessoas, livraria. É também unidade do Centro de Artesanato de Pernambuco, onde possui mais 500 peças de artesãos do Estado de Pernambuco.

📍 Largo do Varadouro – Varadouro

Sede da Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense

Fundada em 15 de fevereiro de 1921, a troça é a mais antiga do carnaval de Olinda. A troça surgiu em homenagem a um velho mascate, que vivia no Sertão do Cariri e vendia ervas medicinais no Recife, representado como um velho com longas barbas ruivas e chapéu de couro. Desde então, o Velho do Cariri, símbolo do troça, sai às 4h montado em um jumento subindo e descendo as ladeiras. É ela que abre o carnaval de Olinda. 

O Cariri recebeu o titulo de Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2016. 

📍 Rua Cândida Luísa – Guadalupe, Olinda.

Museu de Arte Sacra de Pernambuco 

Instalado na antiga Casa da Câmara (1537), uma das primeiras edificações da Vila de Olinda. No final do século XVII, ali passou a funcionar o Palácio Episcopal. Inaugurado em 1977 a partir da doação de mais de uma centena de peças cedidas pela Arquidiocese de Olinda e Recife, seu acervo reúne objetos de culto como santos populares e de procissão, relicários e pinturas religiosas, dispostos em sete salas expositivas temáticas. A sala “O Altar na Igreja” e a coleção de imagens antigas eruditas, policromadas e douradas, do século XVI, são conjuntos que reúnem objetos e trabalhos singulares.

📍 Rua Bispo Coutinho, 726, Alto da Sé de Olinda. 

Farol de Olinda 

O Farol de Olinda é o segundo mais antigo de Pernambuco (1872). Seu primeiro local foi no Forte de São Francisco de Olinda, possuía uma torre de ferro forjado que media 12,5 m e sua luz era visível a 12 milhas náuticas de distância. O farol foi criado para dar suporte ao Farol do Recife, que na época não garantia a iluminação suficiente para a segurança do porto. 

Com o constante avanço do mar e deterioramento da estrutura, foi construído um novo farol (1941) no alto do Morro do Serapião. O novo Farol de Olinda de concreto armado, 42 m e é pintado com faixas horizontais brancas e pretas. Também possui um pequeno elevador – o primeiro instalado em um farol no Brasil – com capacidade para transportar ao topo apenas uma pessoa por vez.

📍 Morro do Serapião, sítio histórico de Olinda.

Farol de Olinda. Foto de Arquimedes Santos, Prefeitura de Olinda (2019)

Solar da Marquesa de Olinda

Um espaçoso casarão que fica numa das esquinas mais movimentadas de Olinda, na subida para ladeira da rua Quinze de Novembro. Também é um centro cultural, com shows de musica, teatro, performances e muito mais. Vale à pena passar por lá!

📍 Av. Joaquim Nabuco, 05 – Varadouro, Olinda. Localizada próxima ao Mercado Eufrásio Barbosa.

Mapcarta: um recurso que pode te ajudar a desbravar Olinda 

A gente sabia que ia te deixar no desejo…  mas, ó, a gente vai te apresentar algo que você vai curtir. 

Nessas buscas que fizemos para resgatar informações sobre a cidade de Olinda, descobrimos um mapa online que pode ser útil nesse seu desbravamento sobre a sua cultura local.

Mapcarta é um projeto de código aberto, com licenças livres Creative Commons, e que utiliza recursos como Open Street Map, Wikipedia e muitos outros para falar dos lugares. Acessa o site e coloca na pesquisa o termo “Olinda”. Aposto que você vai curtir! Se jogue nessa viagem. 😉

REFERÊNCIAS 

Historic Centre of the Town of Olinda. UNESCO. Disponível em:  https://whc.unesco.org/en/list/189/ Acesso em 9 mar. 2022. 

Mapcarta. Disponível em: https://mapcarta.com/pt/ Acesso em 9 mar. 2022. 

Olinda – Centro Histórico. ipatrimônio. Disponível em: 

http://www.ipatrimonio.org/olinda-centro-historico/#!/map=38329&loc=-8.006060771317593,-34.35218811035156,10 Acesso em 9 mar. 2022. 

Olinda. IPHAN. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/351/  Acesso em 9 mar. 2022. 

POST, Frans Jansz. Gezicht op Olinda, Brazilië, 1662. Rijks Museum. Disponível em: 

https://www.rijksmuseum.nl/nl/rijksstudio/kunstenaars/frans-jansz-post/objecten#/SK-A-742,0 Acesso em 9 mar. 2022. 

Troças Carnavalescas de Olinda. FUNDAJ. Disponível em: https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/trocas-carnavalescas-de-olinda/. Acesso em 9 mar. 2022. 

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